Tive uma decisão precisa e intensa
Deixei de ser estação pra me ver passageira
Parei de viver esperando alguém chegar
Implorando pra bilheteria esgotar.
Não são boatos que parei na última estação, são apenas evidências
Dei um fim a esse ciclo na qual não me dei o luxo ganhar.
Levo lembranças ocultas em malas de trabalho
Não pretendo deixa-las invadir no meu céu que começa a
colorir
Sempre fiquei na cabine sem luz alguma
Andando sem perspectiva, presa num passado escravo.
Meu trem não soube resistir.
Dizem por aí que não sei trocar olhares
Falam também que tenho mérito em fracassar
Estou com esperanças dessa vez
Espero ter aprendido a forma certa de amar.
Sou teoria, não vai saber mudar minha alma de maquinista.
Saí da zona de conforto esperando não voltar pra cabine
alguma
Vou fazer algo audacioso, talvez grande demais
Sou maquinista oculta, ou passageira tentando te guiar.
Penso em entrar no teu vagão e me permitir ficar
Mas nunca vi um trem de tanta exigência
Quando vai parar de lutar contra mim?
Saia da cabine e cumprimente tua nova passageira.
Esperei até agora pra dizer que não quero descer em estação
alguma
Tive que implorar pra seguir essa viagem duvidosa de pé
Dei lugar a pessoas que possam valer mais pra ti
Não tem idéia do quanto sou insegura.
Quero ver algo além das tuas regras, enxergar a alma desse maquinista,
Estou curtindo tua cabine, estou curtindo tua indecência.
Nada é um ritual, até meu vagão cansou de vagar.

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